Nova etapa de
fiscalização mira plataformas clandestinas de apostas e transações ligadas ao
“jogo do tigrinho”
O Banco Central do
Brasil iniciou na última quinta-feira (21) uma nova fase de fiscalização para
combater plataformas de apostas ilegais que atuam no país sem autorização
federal. A medida atinge empresas de apostas esportivas e jogos online
clandestinos, incluindo o Fortune Tiger, conhecido popularmente como “jogo do
tigrinho”.
Com a nova estratégia,
bancos e instituições financeiras reguladas pelo Banco Central poderão
identificar e sinalizar contas suspeitas de ligação com operadores ilegais. O
monitoramento será realizado através do sistema Fraud Marker, ferramenta já
utilizada para detectar movimentações suspeitas e fraudes envolvendo o Pix.
Segundo o BC, clientes
que realizarem transferências para plataformas irregulares também poderão
receber marcações internas nas instituições financeiras. Todo o processo deverá
seguir as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), mantendo sigilo das
informações monitoradas.
As instituições
financeiras terão até o dia 1º de dezembro para concluir a implementação
completa do sistema de rastreamento das contas suspeitas. Já a fiscalização de
operações com criptomoedas relacionadas às apostas ilegais deverá começar até
30 de outubro.
Além das bets, o Banco
Central informou que também acompanhará movimentações financeiras envolvendo
empréstimos, serviços bancários e transações com moedas digitais utilizadas por
operadores clandestinos.
Fiscalização cresce
contra plataformas ilegais
A nova medida acontece
em meio ao aumento das ações de fiscalização sobre o setor de apostas online no
Brasil. Nesta semana, o Tribunal de Contas da União (TCU) divulgou uma
auditoria apontando falhas no controle das bets ilegais e cobrando medidas mais
rígidas contra lavagem de dinheiro no segmento.
O relatório analisado
pelo tribunal estima que o mercado clandestino de apostas possa movimentar
entre R$ 26 bilhões e R$ 40 bilhões por ano no país. Parte dessas operações,
segundo o documento, utiliza criptomoedas e transações internacionais fora do
sistema regulado para dificultar o rastreamento do dinheiro.
A Agência Nacional de
Telecomunicações (Anatel) também informou que retirou do ar mais de 39 mil
endereços ligados a apostas ilegais no último ano. Atualmente, apenas empresas
autorizadas pelo governo federal podem operar legalmente no Brasil, utilizando
o domínio oficial “.bet.br”. A regulamentação do setor começou em 2018 e foi
concluída em 2024.